palavras como cerejas

Sunday, February 04, 2007

Ena pá! Passou tanto tempo desde que escrevi mais qualquer coisinha no meu pequeno espaço! Isto é o quanto a Mariana me consome.

Mas hoje não é a ela que dedico este momento.
O que eu quero mesmo escrever é, como não podia deixar de ser, algo sobre o assunto que está agora tão em alta: somos sim ou não? E a favor de quê?

Para mim, um filho é a mais pura forma de amor.
E como já ouvi nestas campanhas, também eu o digo: a 1ª ecografia que vi da Mariana, na altura o "Feijaozinho", foi das coisas mais marcantes da minha vida. Era uma bolinha de 7 cm, com cerca de 8 semanas, com um minúsculo coraçaozinho a bater vigorosamente, a afirmar que ela estava ali e vinha para ficar!
E estar grávida foi o grande marco da minha vida, de mim, de como eu me via, de todo o meu eu.

Mas há uma importante coisa a acrescentar a toda esta conversa, que não é dita em determinadas campanhas.
A Mariana é a coisa mais bonita que fiz na minha vida e eu amo-a de uma forma que só posso explicar dizendo que ela esteve no meu corpo e eu senti-a tantas vezes e a sua vida dependia de mim e eu já a amava sem saber quem ela era!
É uma experiência maravilhosa. MAS porque eu e o João pensámos nela, planeámo-la, desejámo-la e quisemos tê-la. Eu quis tê-la!

Eu sou inteiramente pelo sim à despenalização do aborto! Como poderia pensar o contrário?

E não queiram confundir as coisas e baralhar as ideias!
Não estamos a discutir quando começa a vida nem se somos a favor ou não do aborto. Como poderíamos sê-lo? Ninguém, nenhuma mulher, deseja abortar de ânimo leve.
Espero nunca ter de passar por essa dolorosa decisão. Espero que a Mariana também não.
Mas espero que, se tal acontecer, a Mariana possa optar livremente no seu país, e procurar um local de saúde público onde seja clinicamente tratada e seguida, sem riscos para a sua saúde e sexualidade.

Claro que desejo que o Estado Português melhore o apoio à maternidade e paternidade (coisa que ainda está muito fraquinha!!!), melhore o planeamento familiar, melhore a informação e formação dos seus cidadãos.
Mas todos sabemos que um casal com uma vida sexual responsável, corre o risco de uma gravidez indesejada. Não há métodos 100% eficazes! Ou deverá o casal simplesmente recorrer à abstinência???

O que tem de mudar é a nossa forma de olhar para a realidade.
O aborto é praticado por todo o país, numa clínica privada sem recibo, numa cozinha, num vão de escadas. Não é pelo facto de ser proibído que este flagelo desaparece. E há muita gente que enriquece desta forma, abusando do medo, da vergonha, da insegurança das mulheres que não podem ir a Espanha.

Por este motivo, só nos resta o passo mais digno: dar a cada mulher, a cada casal, a liberdade de optar. É só isto.
Pelo futuro alegre e feliz dos nossos filhos!

Friday, July 28, 2006

O cheiro das maçãs

Esta manhã tinha uma reunião em Lisboa e saí da A5 para Monsanto.
Era uma manhã como outra qualquer até que ao sair da rotunda para São Domingos de Benfica, travei de repente porque vi um esquilinho à beira da estrada.
Ele ficou atrapalhado. Não sabia se atravessava ou não.
E eu, ali sozinha, fiz um sorriso enorme, parei e dei-lhe um mini-apito de buzina para ajudar na sua decisão.
E apressadamente, decidiu-se a atravessar a rua e esconder-se entre as ervas.
Já vinha um carro a aproximar-se e eu fiquei radiante por ter sido eu a ter aquele encontro.

E são estas pequenas coisas, o cheiro das maçãs, a praia em fim de dia, o ondular do trigo, a algazarra dos pardais quando se preparam para dormir, a paz com que a Mariana dorme, que nos dão um sentido à vida.

Monday, July 24, 2006

Gostava de deixar aqui dois poemas pequeninos, de autores pequeninos, numa pequena compilação por Maria Rosa Colaço, "A criança e a vida", de 1969, para a minha pequenina Mariana.


Os meus passos

Os meus passos são de flores.
Eu, uma vez, pisei o sol: mas não o magoei
porque os mues pés são pequeninos.

Victor Pinho




O amor é um pássaro verde
num campo azul
no alto
da madrugada

Victor Barroca Moreira

Vergonhoso!!!!!

Coro de vergonha... A sério!!!
Mas vá, ter uma bebé dá trabalho e acima de tudo, é irresistível. A dedicação é quase, quase total.
Então eu conto:

Estava tudo programado para o 1º de Dezembro. Íamos provocar o parto no Hospital São Francisco Xavier e a Mariana iria nascer num feriado - era muito vantajoso, sobretudo daqui por uns anos, quando quiser ir festejar o aniversário sem os cotas, pela noite dentro.

Mas (há sempre um mas) ela achou que não tínhamos nada de decidir por ela e então numa 6ª feira, mais precisamente a 25 de Novembro de 2005, comecei a ter contracções logo pela manhã.
O João já não foi trabalhar; afinal de contas, as contracções tinham 5 a 10 minutos de intervalo e mais valia ir ver o que se passava.

O velho QX lá se meteu à estrada, com médios acesos, 4 piscas e umas buzinadelas. Se alguém olhava para nós, rapidamente se desviava, ao ver a minha barriguinha redonda e a minha respiração do cãozinho cansado.

A epidural é uma maravilha, só vos digo, e sobretudo no meu caso: foi-ma administrada às 10h e a Mariana veio conhecer-nos pessoalmente às 13h e 35m.
Às 37 semanas e 6 dias, era muito perfeitinha, muito bonitinha (já sei, já sei, todas as mães o dizem!) e muito pequenina, com 2,700 kg e 45 cm!

Adoro-a. Mais que tudo. Reconheço-a e ao seu choro. Adoro o seu cheirinho. E era uma flor delicada nas nossas mãos. A minha flor delicada.

Mas o dia do seu nascimento foi extenuante. E um pouco assustador. Quando as visitas e o João tiveram de saír, eu tinha um ser pequenino ao meu lado, totalmente dependente de mim, e à minha exclusiva responsabilidade. E eu só pensava e agora? o que é que eu faço?

E hoje, 8 meses depois (menos um dia), com algumas dificuldades, ela está saudável, risonha e bem disposta.

É um amor incondicional. Sem dúvida. E que cresce e ganha raízes e troncos e flores e frutos. Porque vamos descobrindo todos os dias qualquer coisa. E porque não há nada melhor do que o sorriso dela, espontâneo, sincero, meigo.

A Mariana é linda!
Obrigada João. Eu amo-te,
Catarina

Tuesday, November 08, 2005

Estamos em Novembro... e ansiosos!

Já não escrevo há muito tempo... na verdade, são muitas coisas juntas e confesso que, entre estar a escrever neste blog e andar a ver roupinhas de bebé e todos os acessórios necessários, prefiro a 2ª opção!!!
Para nos situarmos, estou com 35 semanas e 3 dias. A barriga já pesa e canso-me com muito mais facilidade - quase tanta como a facilidade com que rio e choro!

O médico mandou-me para casa porque é meu médico e porque está a falar pela minha filha - sim, porque eu ainda queria acabar umas coisas no local de trabalho - sabem como é... há sempre uma coisa ou outra que ainda não está devidamente organizada e/ou encaminhada... e por isso, estou de baixa desde 4/Nov. A placenta está num grau II a galopar para III o que, na prática, quer dizer que está a envelhecer, a calcificar e se continuar assim, deixa de fazer as funções que tão bem desempenhou até agora.

... Mas a Mariana (o bebé que me dá pontapés, que chucha no dedo, que precisa tanto de mim e que já é tão meu) está muito bem! Na semana passada pesava cerca de 2450 g e anda a tentar gerir o espacinho que tem, uma vez que este já não é o que era!

Estamos a frequentar o curso de preparação para o parto - e vale a pena porque se trocam muitas ideias e dúvidas, e as respostas são bastante práticas e esclarecedoras. Só acho muita piada - aliás, dá-me sempre vontade de rir - quando as mamãs se põem a respirar como cãezinhos cansados!!!

E faço aqui um elogio ao João porque tenho tido muitos miminhos e porque sinto que continuamos muito próximos e muito unidos. Dá-me forças quando estou mais triste ou insegura.
E tenho a certeza que ele vai ser um pai muiiito babado.

Quanto à nossa Inês (a gata, para quem não se lembra - e pode sempre ler textos anteriores porque fui contando algumas histórias), acho que ela não sabe que vem aí um novo membro da família. Não sei se percebe que a minha barriga está diferente.
No entanto... e não fiquem já a pensar "ai, ai, ai! bebés e gatos juntos!"... vai continuar a ter o seu espaço cá em casa, com os mimos do costume, para não estranhar. E tenho a certeza de que vai adoptar a Mariana!!!

Por fim, já tenho as nossas malas preparadas para o grande dia (entenda-se que eu disse grande dia e não dia grande porque espero mesmo que seja um parto rápido) e ando a pensar nas coisas a preparar para o quartinho dela.

P.S. Uma festinha, Mariana. Já falta tão pouco para nos vermos pela primeira vez!!!

Wednesday, July 06, 2005

O abajur sexy

Não, não se trata de uma história cor de rosa ou com bolinha no canto.

A Inês (que para quem não sabe, deveria ler o que escrevi anteriormente mas desta vez passa, é a nossa gata) ficava sempre muito triste quando estava com o cio - mas nós não queremos mais gatinhos e se um dia mudarmos de opinião, gatos não faltam nos gatis, nas associações que defendem animais ou até na rua.
Métodos contraceptivos não nos pareceram a melhor opção e assim, no dia 27 de Junho, a nossa inesiti foi operada.
Claro que após uma intervenção cirúrgica, ninguém fica muito bem, nem mesmo ela. Andava muito murchinha, não comia nada e só queria era estar deitadinha a receber muitas festas.
Mas hoje, se o mimo continua e anda sempre atrás de mim a pedir atenção, quem a viu a quem a vê!!! Tem um colar à volta do pescoço (para não lamber a barriga) - daí o abajur - e o seu andar é bastante sexy.

Para juntar ao feliz momento, informo que amanhã saio a correr do trabalho e vou com ela para o delírio! Vai tirar os pontos e, claro, o abajur.

Como vêem, a minha vida tem sido uma aventura!

Tuesday, July 05, 2005

A minha maravilhosa notícia!

É certo que desde do início de Abril que não ligava nenhuma ao blog mas é sobretudo certo que não me faltavam cerejas!...

...é que, depois de marcar uns exames para ver a a permeabilidade das trompas (tem um nome estranho, histerossalpingografia), no dia 15 de Abril, quando achava que tal não era nada provável, o teste, sim, aquele teste, estava positivo. Estavam lá os dois tracinhos: um do controlo e um do teste. E eu mal podia acreditar.

No dia seguinte de manhã, toca de ir à farmácia com a primeiríssima urina da manhã e pedi para me fazerem novo teste. Lá regressou a farmacêutica com um sorriso discreto (porque nunca se sabe a reacção de cada um) e o cartãozinho não nos enganava: dizia mesmo POSITIVO. Fiz eu um grande sorriso para não haver enganos - o que eu quero é ser mamã! - e fomos felicitados.

Na consulta com data de 20 de Abril, eu e o João estávamos fascinados a ver uma bolinha de 7 mm, com um coraçãozinho a bater cheio de força.

E hoje estou de 17 semanas e 3 dias, ainda não tenho barriguinha nem sinto o feijãozinho o mexer. E também não sei se é a ou o porque na última ecografia tinha as pernas cruzadas.

Estamos felizes! E receosos... vai ser uma vida nova. Mas com todos os medos que é normal sentirmos nesta altura, tenho a certeza que vai ser um bebé incrivelmente bem vindo!

Sunday, April 03, 2005

Ainda hoje

Depois das formalidades, acrescento que não me referi à morte do Papa porque achei que não devia. E depois resolvi mudar de opinião e referir que este dia não vai ficar registado na minha memória.

Pessoalmente, não gostava deste Papa.
Não sou religiosa nem mesmo crente, mas respeito as ideias e opiniões de todos. Cada pessoa é livre de acreditar seja no que for, de praticar a sua fé, enfim... mas o que é condenável é sem dúvida a hipocrisia que é guiar as pessoas que seguem a igreja, sem ajustar os valores à realidade actual.
Não posso consentir que, nos dias de hoje, a igreja continue a proibír o uso do preservativo. E João Paulo II deliberadamente fê-lo!
Como é que é possível que, por exemplo nalguns países de África, onde a percentagem de sero-positivos chega a valores alarmantes como 40% da população, freiras missionárias transmitam à população algo tão repugnante como "o preservativo não protege contra a Sida porque os poros do látex têm uma dimensão superior à do vírus."

Se Deus existe, sendo perfeito, não poderá permitir que milhares de crianças nasçam infectadas. Ou não serão elas o melhor do mundo?

Formalidades... e a Inês!

Bom... devem estar a perguntar "que raio de blog é este? é quem é esta tipa que se lembrou de dividir a blogosdera connosco?". É justo! Por isso, vou começar por dizer umas coisas a meu respeito - mas não se assustem, não é nenhuma dissertação!

A minha terra natal é a Alface, ou não fora eu uma alfacinha de raíz, embora uma das costelas seja de Santarém. Estudei biologia - ai se eu soubesse o que sei hoje... e de bióloga não faço muito. Mas o amor pelos animais e pelas plantas, pela vida e por todas os processos e mecanismos que lhe estão associados, tudo isso continua a roer. E para vos provar, informo que para além das três (leram bem, são três) gatas que foram viver com os meus pais - a Chica, a Xuxu e a Mimi, por minha responsabilidade (directa ou indirecta), vive uma outra comigo, a Inês, que é linda, rafeirola, é certo!, mas cheia de carácter e com um pêlo muito macio e sedoso.

É uma espécie de filha - e não só porque ainda não tenho filhos! É mesmo filha porque, afinal de contas sempre foi tratada como tal. E porque a história dela teve um início feliz! Eu conto:

depois de convencer o João (o meu marido, amigo, confidente, amante, sei lá o que mais) de que me era absolutamente fundamental ter um gato em casa, perguntei a uma colega, a Carla, que é veterinária, se sabia de alguma gatinha bebé que quisesse ter uns donos simpáticos. Pois fiquei a saber que tinha ido parar à clínica onde ela trabalhava, uma ninhada de gatinhos com 2 dias. Lá fui eu escolher a Inês, que ainda ficou uns dias sob vigilância da "médica", dada a pouca experiência que eu tinha com recém-nascidos.
Quando fez duas semanas, trouxe-a comigo e estava danada porque os comentários que ouvia eram qualquer coisa deste género: "tão pequenina, parece um rato!" ou "será que isso vinga?"

Eu sou uma pessoa persistente desde miúda e a última coisa que eu queria era que a bichinha me morresse nos braços. Por isso, dediquei-lhe toda a minha atenção: preparava leite em pó especial para gatinhos bebés e dada-lho dia e noite, religiosamente de 2 em 2 horas, tratava do pêlo dela, como se fosse a mamã dela, enfim, tive a minha primeira experiência maternal.

E hoje ela está linda, saudável e a dormir aqui ao meu lado, enroladinha numa almofada, como os gatos tanto se derretem!