palavras como cerejas

Sunday, April 03, 2005

Ainda hoje

Depois das formalidades, acrescento que não me referi à morte do Papa porque achei que não devia. E depois resolvi mudar de opinião e referir que este dia não vai ficar registado na minha memória.

Pessoalmente, não gostava deste Papa.
Não sou religiosa nem mesmo crente, mas respeito as ideias e opiniões de todos. Cada pessoa é livre de acreditar seja no que for, de praticar a sua fé, enfim... mas o que é condenável é sem dúvida a hipocrisia que é guiar as pessoas que seguem a igreja, sem ajustar os valores à realidade actual.
Não posso consentir que, nos dias de hoje, a igreja continue a proibír o uso do preservativo. E João Paulo II deliberadamente fê-lo!
Como é que é possível que, por exemplo nalguns países de África, onde a percentagem de sero-positivos chega a valores alarmantes como 40% da população, freiras missionárias transmitam à população algo tão repugnante como "o preservativo não protege contra a Sida porque os poros do látex têm uma dimensão superior à do vírus."

Se Deus existe, sendo perfeito, não poderá permitir que milhares de crianças nasçam infectadas. Ou não serão elas o melhor do mundo?

Formalidades... e a Inês!

Bom... devem estar a perguntar "que raio de blog é este? é quem é esta tipa que se lembrou de dividir a blogosdera connosco?". É justo! Por isso, vou começar por dizer umas coisas a meu respeito - mas não se assustem, não é nenhuma dissertação!

A minha terra natal é a Alface, ou não fora eu uma alfacinha de raíz, embora uma das costelas seja de Santarém. Estudei biologia - ai se eu soubesse o que sei hoje... e de bióloga não faço muito. Mas o amor pelos animais e pelas plantas, pela vida e por todas os processos e mecanismos que lhe estão associados, tudo isso continua a roer. E para vos provar, informo que para além das três (leram bem, são três) gatas que foram viver com os meus pais - a Chica, a Xuxu e a Mimi, por minha responsabilidade (directa ou indirecta), vive uma outra comigo, a Inês, que é linda, rafeirola, é certo!, mas cheia de carácter e com um pêlo muito macio e sedoso.

É uma espécie de filha - e não só porque ainda não tenho filhos! É mesmo filha porque, afinal de contas sempre foi tratada como tal. E porque a história dela teve um início feliz! Eu conto:

depois de convencer o João (o meu marido, amigo, confidente, amante, sei lá o que mais) de que me era absolutamente fundamental ter um gato em casa, perguntei a uma colega, a Carla, que é veterinária, se sabia de alguma gatinha bebé que quisesse ter uns donos simpáticos. Pois fiquei a saber que tinha ido parar à clínica onde ela trabalhava, uma ninhada de gatinhos com 2 dias. Lá fui eu escolher a Inês, que ainda ficou uns dias sob vigilância da "médica", dada a pouca experiência que eu tinha com recém-nascidos.
Quando fez duas semanas, trouxe-a comigo e estava danada porque os comentários que ouvia eram qualquer coisa deste género: "tão pequenina, parece um rato!" ou "será que isso vinga?"

Eu sou uma pessoa persistente desde miúda e a última coisa que eu queria era que a bichinha me morresse nos braços. Por isso, dediquei-lhe toda a minha atenção: preparava leite em pó especial para gatinhos bebés e dada-lho dia e noite, religiosamente de 2 em 2 horas, tratava do pêlo dela, como se fosse a mamã dela, enfim, tive a minha primeira experiência maternal.

E hoje ela está linda, saudável e a dormir aqui ao meu lado, enroladinha numa almofada, como os gatos tanto se derretem!