palavras como cerejas

Friday, July 28, 2006

O cheiro das maçãs

Esta manhã tinha uma reunião em Lisboa e saí da A5 para Monsanto.
Era uma manhã como outra qualquer até que ao sair da rotunda para São Domingos de Benfica, travei de repente porque vi um esquilinho à beira da estrada.
Ele ficou atrapalhado. Não sabia se atravessava ou não.
E eu, ali sozinha, fiz um sorriso enorme, parei e dei-lhe um mini-apito de buzina para ajudar na sua decisão.
E apressadamente, decidiu-se a atravessar a rua e esconder-se entre as ervas.
Já vinha um carro a aproximar-se e eu fiquei radiante por ter sido eu a ter aquele encontro.

E são estas pequenas coisas, o cheiro das maçãs, a praia em fim de dia, o ondular do trigo, a algazarra dos pardais quando se preparam para dormir, a paz com que a Mariana dorme, que nos dão um sentido à vida.

Monday, July 24, 2006

Gostava de deixar aqui dois poemas pequeninos, de autores pequeninos, numa pequena compilação por Maria Rosa Colaço, "A criança e a vida", de 1969, para a minha pequenina Mariana.


Os meus passos

Os meus passos são de flores.
Eu, uma vez, pisei o sol: mas não o magoei
porque os mues pés são pequeninos.

Victor Pinho




O amor é um pássaro verde
num campo azul
no alto
da madrugada

Victor Barroca Moreira

Vergonhoso!!!!!

Coro de vergonha... A sério!!!
Mas vá, ter uma bebé dá trabalho e acima de tudo, é irresistível. A dedicação é quase, quase total.
Então eu conto:

Estava tudo programado para o 1º de Dezembro. Íamos provocar o parto no Hospital São Francisco Xavier e a Mariana iria nascer num feriado - era muito vantajoso, sobretudo daqui por uns anos, quando quiser ir festejar o aniversário sem os cotas, pela noite dentro.

Mas (há sempre um mas) ela achou que não tínhamos nada de decidir por ela e então numa 6ª feira, mais precisamente a 25 de Novembro de 2005, comecei a ter contracções logo pela manhã.
O João já não foi trabalhar; afinal de contas, as contracções tinham 5 a 10 minutos de intervalo e mais valia ir ver o que se passava.

O velho QX lá se meteu à estrada, com médios acesos, 4 piscas e umas buzinadelas. Se alguém olhava para nós, rapidamente se desviava, ao ver a minha barriguinha redonda e a minha respiração do cãozinho cansado.

A epidural é uma maravilha, só vos digo, e sobretudo no meu caso: foi-ma administrada às 10h e a Mariana veio conhecer-nos pessoalmente às 13h e 35m.
Às 37 semanas e 6 dias, era muito perfeitinha, muito bonitinha (já sei, já sei, todas as mães o dizem!) e muito pequenina, com 2,700 kg e 45 cm!

Adoro-a. Mais que tudo. Reconheço-a e ao seu choro. Adoro o seu cheirinho. E era uma flor delicada nas nossas mãos. A minha flor delicada.

Mas o dia do seu nascimento foi extenuante. E um pouco assustador. Quando as visitas e o João tiveram de saír, eu tinha um ser pequenino ao meu lado, totalmente dependente de mim, e à minha exclusiva responsabilidade. E eu só pensava e agora? o que é que eu faço?

E hoje, 8 meses depois (menos um dia), com algumas dificuldades, ela está saudável, risonha e bem disposta.

É um amor incondicional. Sem dúvida. E que cresce e ganha raízes e troncos e flores e frutos. Porque vamos descobrindo todos os dias qualquer coisa. E porque não há nada melhor do que o sorriso dela, espontâneo, sincero, meigo.

A Mariana é linda!
Obrigada João. Eu amo-te,
Catarina